segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tratamentos de Água Poluída

                                                Por  Roberto Naime

Os tratamentos de água são necessários para águas residuárias de sistemas industriais ou para os esgotos coletados nas áreas assentamentos humanos. Objetivam devolver características físico-químicas às águas, antes das mesmas serem dispostas ou retornarem aos sistemas hídricos naturais, superficiais ou subterrâneos.
Os tratamentos envolvem vários tipos de processos, desde a remoção física dos poluentes, passando por processos químicos e podendo serem finalizados por refinamentos biológicos.
Existem tratamentos denominados primários, secundários e terciários, cada um deles sendo constituído de vários processos unitários individuais.
Processos unitários é a denominação que se dá para cada procedimento físico ou químico que integra o elenco de ações que objetiva dotar o efluente residuário considerado, de condições para retornar ao fluxo natural das águas sem causar danos e impactos ambientais.
Os denominados tratamentos primários são constituídos por processos físico químicos, por coagulação e floculação das águas residuárias e objetivam a remoção de poluentes inorgânicos, materiais insolúveis, metais pesados, matéria orgânica não-biodegradável, sólidos em suspensão e outros.
O tratamento físico-químico por coagulação e floculação difere muito pouco dos sistemas empregados no tratamento de água bruta para abastecimento público, onde sua concepção básica consiste em transformar em flocos as impurezas em estado coloidal e as suspensões, para posteriormente remover estes materiais em decantadores.
A floculação é obtida com coagulantes químicos como os sais de Alumínio e Ferro, que reagem com a alcalinidade contida ou adicionada nas águas residuárias para correção do pH muito ácido, formando hidróxidos que desestabilizam colóides e partículas em suspensão.
Para obtenção de eficiência nos tratamentos, é necessário escolher os processos de forma adequada.
Os processos físico-químicos são recomendados na remoção de poluentes inorgânicos, metais pesados, óleos e graxas, sólidos sedimentáveis e sólidos em suspensão através de processos de coagulação-floculação e remoção de matérias orgânicas não-biodegradáveis e sólidos dissolvidos, por precipitação química.
A remoção de compostos ocorre através de oxidação química.
Na remoção de sólidos voláteis, dissolvidos e em suspensão, o tratamento biológico é mais indicado. Para remover sólidos fixos dissolvidos, são necessários tratamentos mais avançados como troca iônica, adsorção em leitos de carvão ativado e outros.
Na escolha do tratamento, a relação entre Digestão Química de Oxigênio (DQO) e Digestão Biológica de Oxigênio (DBO) é o parâmetro definidor fundamental:
1)o caso em que a DQO seja o dobro da DBO, é provável que parte da matéria orgânica seja biodegradável, podendo ser adotados tratamentos biológicos convencionais;
2)na hipótese do DQO ser muito além do dobro da DBO (3 ou 4 vezes maior), é provável que grande parte da matéria orgânica não seja biodegradável e tratamentos químicos podem ser mais adequados; caso haja presença de celulose, que não é biodegradável, mas não é tóxica, poderá ser aplicado tratamento biológico.
O procedimento, para avaliar a eficiência dos processos e orientar a escolha do tratamento adequado, é a execução de ensaios de floculação (“jar-test”) que são simulações laboratoriais do que realmente ocorre nas estações de tratamento.

Dr. Roberto Naime, colunista do EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.


terça-feira, 5 de julho de 2011

Notas sobre a água

                                                                                              Por Luana Copini
Nas cartilhas escolares distribuídas pela Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (CASAN) aprendemos que: 12% da água doce do mundo está no Brasil.
Além de abrigar o maior rio em extensão e volume de água, o Amazonas, mais de 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano e as condições climáticas e geológicas propiciam a formação de uma extensa e densa rede de rios.
O que incide no Brasil, porém, é a má distribuição desta água. Enquanto a Amazônia com baixos índices populacionais possui 78% da água superficial, o sudeste que possui a maior concentração de população do país tem disponível apenas 6% do total da água.
De acordo com a Agência Nacional das Águas (ANA) a água no país representa apenas 0,3% do total de água do planeta em mais de 8,5 milhões de Km², vários biomas e quase metade do território ocupado pela floresta Amazônica.
Como em toda lógica natural, ou econômica, todo recurso natural é escasso, não seria diferente com a água.
Para Maria de Lourdes Davies de Freitas, pesquisadora e Secretaria Executiva da Rede Brasileira de Agrofloresta, a sociedade ao invés de evoluir está “involuindo”. “O índio no passado sabia aonde ir, era nômade (ainda alguns os são), aonde não existia água, eles não ficavam”.
No Brasil 50% da água captada para uso é destinada à irrigação, em apenas 5% da área total, segundo relatório divulgado pela ANA. Para onde vai o restante, nem o brasileiro sabe, segundo a pesquisadora.
Sem água não há vida, afirma Maria de Loudes acrescentando que a sociedade brasileira tem que acordar para questões que dizem respeito à sustentabilidade e ao uso da água, não apenas quanto ao desperdício mas também quanto ao não desmatamento das florestas.
Levando em consideração a preocupação com a escassez de água, a ANA criou o Atlas Brasil de Abastecimento Urbano de Água que faz o mapeamento e aponta as vulnerabilidades de todas as regiões metropolitanas e de todos os municípios do País.
E o último Atlas (2010) aponta a necessidade de investimentos que ultrapassam R$ 20 bilhões. Indica ainda que se efetuadas as obras, o Brasil terá oferta de água suficiente até 2025. Caso contrário, até 2015 pode faltar água em muitos municípios brasileiros.
Luana Copini é participante do Projeto Repórter do Futuro, que visa à interação de alunos de jornalismo e da sociedade civil sob estudos e experiências com relação à Amazônia e ao meio ambiente.
Disponível em : <http://www.ecodebate.com.br/2011/06/14/notas-sobre-a-agua// > Acessado em :5 de Julho de 2011


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Brasil alcança meta do milênio de acesso a água, mas ainda apresenta grandes desafios

por Redação EcoD

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentado na terça-feira, 28 de junho, em Brasília, apontou que o Brasil alcançou a meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) de reduzir as desigualdades no que diz respeito ao acesso a água potável. Segundo o instituto, o desafio agora é levar esgoto à zona rural.

Os dados foram apresentados durante a primeira edição do Seminário Franco-Brasileiro sobre Saúde Ambiental: Água, Saúde e Desenvolvimento, organizado pela Embaixada da França no Brasil e pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), com parceria do Ipea, dos ministérios da Saúde, Cidades, Meio Ambiente e Desenvolvimento Social e Combate à Fome, além da Fiocruz, Organização Mundial da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde.

Os resultados apresentados foram relativos a estudos do alcance dos ODM nos estados brasileiros no contexto da sustentabilidade ambiental. De acordo com Maria da Piedade Morais, coordenadora de Estudos Setoriais Urbanos da Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais (Dirur) do Ipea, o Brasil alcançou a meta de reduzir as desigualdades no que se relaciona ao acesso à água com canalização interna proveniente de rede geral. O percentual passou de 82,3%, em 1992, para 91,6%, em 2008.

Maria da Piedade ressaltou, no entanto, que quando os dados são avaliados por estados e zona rural, ainda há muito espaço para melhoria dos indicadores, fazendo com que o alcance dessa meta ainda não seja uma realidade. Segundo ela, considerando todos os recortes geográficos e socioeconômicos, as desigualdades ainda permanecem bastante elevadas.

Nas áreas rurais, embora tenha sido registrado avanço significativo na proporção da população abastecida por rede geral, com ou sem canalização interna (que passou de 12,4%, em 1992, para 32,6%, em 2008), o percentual de cobertura por rede pública ainda é bem inferior ao registrado nas áreas urbanas, não tendo sido possível alcançar a meta de reduzir as desigualdades pela metade. O estudo aponta que, na zona rural, a água utilizada pelas famílias ainda provém principalmente de poços, nascentes ou outro tipo de fonte.

Esgoto

A desigualdade espacial e social também se dá no acesso aos serviços de esgotamento sanitário. Na escala regional, os maiores déficits ocorrem no Norte, Centro-Oeste e Nordeste e áreas rurais. Embora o percentual de cobertura por rede geral de esgotos ou fossa séptica tenha subido de 10,3%, em 1992, para 23,1%, em 2008, as condições ainda são inadequadas.

No campo, 46,6% da população é atendida por fossas rudimentares, 5,6% por vala, 3,1% lançam seus esgotos diretamente nos rios, lagos ou mar, 0,6% adotam outro tipo de solução não adequada e 21% não possuem nenhum tipo de esgotamento sanitário.

No acesso simultâneo aos dois tipos de serviço de saneamento básico, o porcentual da população urbana servida por água canalizada de rede geral no interior do domicílio e esgotamento sanitário de rede geral ou fossa séptica passou de 62,3%, em 1992, para 76%, em 2008.

Levando em conta os aspectos étnicos, mesmo tendo sofrido redução de 13% nos últimos 16 anos, as desigualdades no acesso a saneamento adequado ainda são bastante pronunciadas: 82,2% da população branca está coberta por serviços de água e esgoto adequados, contra apenas 69,4% de cobertura entre pretos e pardos.

Com informações do Ipea.

Disponível em : <http://sanambiental.blogspot.com/ > Acessado em :1 de Julho de 2011